
Lucas Apolinário durante participação em competição de atletismo; coordenador técnico do SADA–CRUZEIRO–IPITA, treinador e pesquisador, ele também vivencia as provas como competidor.
Coordenador técnico da equipe SADA–CRUZEIRO–IPITA, pesquisador e também competidor, Lucas conquistou três títulos estaduais em um único dia, garantiu índices nacionais e será um dos representantes do clube no principal palco do atletismo brasileiro
O retorno do SADA–CRUZEIRO–IPITA ao Troféu Brasil de Atletismo não representa apenas a volta de uma das camisas mais tradicionais do esporte nacional. É o resultado de um projeto construído com planejamento, ciência, formação de talentos e uma liderança que se tornou protagonista da reconstrução do atletismo celeste: Lucas Apolinário.
Treinador, coordenador técnico, pesquisador e competidor, Lucas assumiu a missão de recolocar o Cruzeiro entre os grandes nomes do atletismo brasileiro. Desde o início do projeto, desenvolvido em parceria com o Centro de Treinamento Esportivo da Universidade Federal de Minas Gerais (CTE-UFMG), o Instituto Palestra Itália (IPITA) e o Cruzeiro Esporte Clube, com apoio da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (SEDESE) e do Grupo SADA, sua meta sempre foi clara: devolver ao clube o protagonismo que marcou gerações.
“Quando embarquei no projeto, o meu principal objetivo era, mais que conseguir qualquer resultado, devolver ao Cruzeiro o seu lugar histórico no atletismo do Brasil.”
A frase resume uma caminhada iniciada em 2019, quando Lucas começou a trabalhar com um pequeno grupo de atletas. Poucos anos depois, o projeto já revela talentos nacionais, conquista medalhas em diferentes competições e recoloca o Cruzeiro no maior evento de clubes do atletismo brasileiro.
Mas o objetivo de devolver o clube ao Troféu Brasil não surgiu agora. Desde que iniciou o trabalho com os atletas, Lucas buscou compreender o que havia acontecido com a antiga equipe, quando ocorreu sua descontinuidade, qual havia sido a última participação nacional e, principalmente, quando o Cruzeiro havia disputado pela última vez o Troféu Brasil.
“Eu tinha esse objetivo desde que embarquei no projeto, desde que comecei o trabalho com os meninos. Eu tinha esse objetivo porque fui atrás de entender o que tinha acontecido com a equipe, quando ela acabou, quando tinha participado pela última vez e, principalmente, do Troféu Brasil.”
A busca pela história da equipe ajudou a transformar o retorno ao principal campeonato nacional da modalidade em uma meta concreta dentro do processo de reconstrução.
Para Lucas, não se tratava apenas de conquistar resultados individuais ou índices classificatórios. O objetivo era recuperar uma presença histórica.
UM RETORNO CARREGADO DE SIMBOLISMO
A última participação do Cruzeiro no Troféu Brasil aconteceu em 2017, quando Gilmar Silvestre Lopes conquistou o vice-campeonato brasileiro dos 10.000 metros. Depois da descontinuidade da equipe, em 2018, uma das maiores potências da história do atletismo brasileiro desapareceu das pistas.
Agora, quase dez anos depois, o retorno acontece em um cenário igualmente histórico.
A edição de 2026 será disputada no tradicional Estádio Ícaro de Castro Melo, no Complexo Esportivo do Ibirapuera, em São Paulo, palco que recebeu gerações de campeões e ajudou a escrever parte significativa da história do atletismo nacional.
O retorno do Cruzeiro justamente neste cenário amplia o simbolismo de uma reconstrução que vem sendo conduzida de maneira gradual.
Para Lucas Apolinário, o momento vai muito além de uma competição.
“Eu sabia que a melhor maneira de fazer isso era colocar o escudo celeste de volta no maior palco do atletismo brasileiro, para que todo mundo pudesse ver que o atletismo do Cruzeiro. Está de volta e mais vivo do que nunca.”
E completa:
“É com muito orgulho que informo que, depois de quase 10 anos, o Cruzeiro Esporte Clube retorna ao Troféu Brasil e ao seu lugar de direito no maior palco do atletismo brasileiro.”
O TROFÉU BRASIL COMO PARTE DA HISTÓRIA DO ESPORTE NACIONAL
Para quem vive o atletismo, a dimensão do Troféu Brasil ultrapassa o caráter de uma competição nacional.
O campeonato representa uma das principais referências para atletas brasileiros e, ao longo de sua história, reuniu nomes que marcaram o esporte olímpico e mundial. Medalhistas, recordistas e diferentes gerações de atletas de elite construíram parte de suas trajetórias na competição.
Lucas conhece essa dimensão de perto.
“O Troféu Brasil, para quem é do atletismo, é uma competição com a qual a gente já está acostumado e sabe da importância. O sonho imediato de qualquer atleta aqui do Brasil é estar em um Troféu Brasil, ser finalista, medalhista ou até campeão brasileiro.”
Na avaliação do coordenador técnico, a importância do campeonato também está diretamente relacionada à memória do atletismo nacional.
“Porque o Troféu Brasil é a competição mais importante do atletismo aqui no Brasil. Todos os ídolos do atletismo, medalhistas olímpicos, atletas com participação olímpica e os poucos campeões que a gente tem, tanto olímpicos quanto mundiais, já protagonizaram episódios importantes no Troféu Brasil. Vários recordes foram quebrados no Troféu.”
Para ele, o campeonato ocupa uma posição singular justamente porque acompanha diferentes períodos da evolução da modalidade no país.
“Então, é uma competição muito importante para o atletismo, não só pelo fato de ser um campeonato nacional, mas porque o Troféu conta a história do Brasil.”
A VOLTA AO IBIRAPUERA E O RESGATE DA MEMÓRIA
O retorno do SADA–CRUZEIRO–IPITA ao Troféu Brasil ocorre em uma edição marcada também pelo resgate de um dos principais palcos históricos da modalidade.
O Estádio Ícaro de Castro Melo recebeu, durante décadas, competições nacionais e internacionais, além de atletas que construíram trajetórias olímpicas e estabeleceram marcas importantes.
Para Lucas, existe uma coincidência simbólica entre o retorno do Troféu a esse cenário e a volta do Cruzeiro à competição.
“Parece muito oportuno que, neste ano, o Troféu volte para o estádio que recebeu muitas edições durante muitos e muitos anos. Muita gente importante do atletismo passou por lá. Muitos medalhistas, muitos atletas olímpicos e muitos recordistas passaram por lá. E o Troféu está resgatando essa memória.”
A coincidência reforça o caráter histórico da participação celeste em 2026: enquanto a competição recupera parte de sua própria memória ao voltar a um palco tradicional, o Cruzeiro também retoma uma trajetória interrompida há quase uma década.
O RETORNO QUE QUASE ACONTECEU EM 2025

Nayane Braga durante competição em 2025; a atleta esteve próxima de marcar o retorno do Cruzeiro ao Troféu Brasil, mas alcançou o índice após o encerramento da janela classificatória para a competição nacional.
A volta do Cruzeiro ao Troféu Brasil poderia ter ocorrido um ano antes.
Em 2025, Lucas esteve próximo de alcançar esse objetivo por meio de Nayane, uma das atletas desenvolvidas dentro do trabalho de formação. O planejamento avançou, a atleta evoluiu e chegou à marca necessária, mas o resultado aconteceu quando a janela válida para obtenção do índice já havia sido encerrada.
“Eu queria ter feito isso no ano passado. Eu quase consegui o índice para a Nayane. A Nayane quase conseguiu o índice. A gente fez um trabalho legal em 2025 e ela conseguiu índice, na verdade, só que a janela para obtenção de índice já tinha fechado para o Troféu Brasil.”
Para Lucas, aquela possibilidade carregava um significado especial. Seria a estreia da atleta no Troféu Brasil e, ao mesmo tempo, o retorno do Cruzeiro à principal competição nacional da modalidade.
“Eu queria muito que ela participasse, porque seria o primeiro Troféu Brasil. Eu queria acompanhá-la e, principalmente, pelo fato de que ela, pela primeira vez no Troféu Brasil, teria a oportunidade de levar o Cruzeiro de volta ao Troféu Brasil pela primeira vez em quase dez anos.”
O objetivo precisou ser adiado. Mas não foi abandonado.
Em 2026, a reconstrução finalmente alcançou um de seus marcos mais simbólicos.
CIÊNCIA APLICADA AO ALTO RENDIMENTO

Lucas Apolinário, técnico e coordenador do projeto “Corridas, Saltos, Lançamentos e Superação”, posa com a camisa da iniciativa do Instituto Palestra Itália, desenvolvida em parceria com o Cruzeiro Esporte Clube e com patrocínio do Grupo SADA.
A trajetória de Lucas Apolinário vai além das pistas.
Apaixonado pelo atletismo desde a graduação, iniciou sua formação no CTE-UFMG, orientado pelos professores Dr. Márcio Vianna Prudêncio e Dr. Leszek Antoni, referências nacionais na modalidade.
A experiência no ambiente acadêmico e esportivo ajudou a construir uma visão de trabalho baseada na integração entre conhecimento científico, observação prática e desenvolvimento de atletas.
Hoje, além de coordenador técnico, Lucas desenvolve pesquisas na área de Ciências do Esporte, dedicadas à identificação e seleção de talentos esportivos conhecimento aplicado diariamente na construção do SADA–CRUZEIRO–IPITA.
Essa união entre ciência e prática tem permitido ao projeto formar atletas desde as categorias de base até o alto rendimento, consolidando um modelo de desenvolvimento sustentado por planejamento, acompanhamento e resultados.
A proposta não se limita à preparação para uma competição específica. O trabalho busca identificar potencial, desenvolver capacidades esportivas e criar condições para que jovens atletas avancem de maneira estruturada dentro da modalidade.
Ao mesmo tempo, a atuação acadêmica de Lucas dialoga diretamente com os desafios encontrados no cotidiano da equipe, aproximando pesquisa e prática esportiva.
COORDENADOR E COMPETIDOR: UMA ATUAÇÃO RARA NO ESPORTE BRASILEIRO
Se fora das pistas Lucas coordena todo o planejamento técnico do projeto, dentro delas ele continua sendo exemplo de desempenho.
Sua relação com as competições, no entanto, é descrita por ele de uma maneira particular. Lucas não se define prioritariamente como atleta. Sua identidade profissional está ligada ao trabalho como treinador e coordenador técnico.
A participação em provas faz parte, segundo ele, de um processo de aprendizado e aprofundamento da própria atuação profissional.
“Eu faço as provas, compito e participo para que essas experiências contribuam para o meu trabalho como coordenador técnico.”
Essa característica torna o retorno de 2026 ainda mais singular. O coordenador responsável por conduzir parte do processo de reconstrução também será um dos responsáveis por carregar o escudo celeste de volta à competição.
TRÊS TÍTULOS ESTADUAIS EM UM ÚNICO DIA

As atletas Letícia Castro e Adrienne Barreto ao lado do coordenador técnico Lucas Apolinário, que também atua como competidor, representam uma equipe construída sobre formação, ciência e alto rendimento pilares que marcam a reconstrução do atletismo do SADA–CRUZEIRO–IPITA.
No dia 20 de junho, durante o Campeonato Estadual, Lucas protagonizou uma atuação excepcional ao conquistar três medalhas de ouro em três provas diferentes.
Às 8h15, tornou-se campeão estadual dos 110 metros com barreiras, garantindo índice para o Troféu Brasil.
Poucos minutos depois, entre 8h20 e 9h, voltou à pista para vencer o salto em altura, conquistando mais uma medalha de ouro e outro índice nacional.
Já no período da tarde, entre 13h50 e 14h30, encerrou a competição vencendo também o salto triplo, completando uma campanha perfeita.
Três provas. Três títulos estaduais. Dois índices para o principal campeonato nacional da modalidade.
Os resultados confirmam uma característica pouco comum no esporte de alto rendimento: Lucas alia a visão estratégica de coordenador técnico à experiência prática de quem vivencia as exigências da competição.
No Troféu Brasil, ele representará novamente o SADA–CRUZEIRO–IPITA nas provas dos 110 metros com barreiras e do salto em altura.
“TRAZENDO O CRUZEIRO DE VOLTA AO TROFÉU BRASIL”
A classificação ganhou uma dimensão ainda mais profunda porque permitiu que o próprio Lucas concretizasse um objetivo perseguido desde o início do trabalho.
Depois de estudar a história da antiga equipe, compreender o período de ausência e trabalhar pela retomada da modalidade, ele será um dos responsáveis por materializar o retorno.
“Estou muito feliz, de verdade. Estou muito feliz porque fui eu quem teve essa oportunidade, sabe?”
Para Lucas, representar o Cruzeiro no Troféu Brasil significa também participar diretamente da história esportiva do clube.
“Estou muito feliz porque vou ter a oportunidade de devolver isso para o Cruzeiro e, por consequência, vou ter a oportunidade de participar da história do Cruzeiro, de marcar um pedacinho da história do Cruzeiro com o meu trabalho e, principalmente, comigo mesmo.
A fala sintetiza a dimensão pessoal de uma reconstrução que começou muito antes da obtenção dos índices.
Não se trata apenas da classificação de um competidor. Trata-se de um treinador e coordenador que, depois de anos trabalhando para reconstruir uma estrutura esportiva, também estará na pista no momento em que o clube retoma seu espaço no campeonato.
MAIS DO QUE MEDALHAS, UM LEGADO
O projeto liderado por Lucas Apolinário tem um objetivo que vai além dos pódios.
A proposta é reconstruir uma tradição histórica, formar novos talentos e transformar vidas por meio do esporte, mantendo um padrão de excelência compatível com a história do Cruzeiro no cenário nacional.
O retorno ao Troféu Brasil simboliza exatamente isso: não apenas a volta de um clube histórico às competições, mas a consolidação de um trabalho que une conhecimento científico, gestão esportiva, formação humana e alto rendimento.
Desde 2024, esse processo vem sendo conduzido de forma progressiva, com a ampliação do trabalho, o desenvolvimento de atletas e a retomada gradual da presença celeste em competições.
Lucas define essa caminhada como um processo construído passo a passo.
“Estou bem feliz, estou bem satisfeito com o fato de ter conseguido alcançar isso. E é só o começo.”
E projeta:
“A ideia é a gente voltar aos pouquinhos, organizar o atletismo, como a gente tem feito, com passinhos de formiga desde 2024, quando a gente começou a trabalhar.”
Depois de quase uma década, o escudo celeste volta ao maior palco do atletismo brasileiro.
O retorno representa a retomada de uma história interrompida, a consolidação de um projeto construído ao longo dos últimos anos e o início de uma nova etapa para a modalidade dentro do clube.
Por trás dessa reconstrução está a liderança de Lucas Apolinário, que reúne coordenação técnica, pesquisa científica, formação de talentos e experiência competitiva em uma mesma trajetória.
Em 2026, essa caminhada alcança um de seus momentos mais simbólicos: depois de anos trabalhando para devolver o Cruzeiro ao Troféu Brasil, Lucas também estará na pista, carregando o escudo celeste no retorno do clube a um dos maiores palcos do atletismo nacional.