
Com a introdução dos primeiros circuitos de treino e aumento progressivo das cargas físicas, o Projeto Corridas, Saltos, Lançamentos e Superação estrutura o desenvolvimento físico, fisiológico e psicológico dos seus atletas. Acervo: Equipe SADA-CRUZEIRO-IPITA
Belo Horizonte (MG) — Após o período de férias e a conclusão da etapa inicial de familiarização e readaptação motora, a equipe de atletismo SADA–CRUZEIRO–IPITA CTE deu início a uma das fases mais determinantes do seu planejamento esportivo: a preparação geral, também conhecida como período de base. Entre os dias 21 e 27 de setembro, os atletas passaram a cumprir uma rotina estruturada com maior volume de atividades e a aplicação dos primeiros circuitos de exercícios da temporada.
A mudança na rotina marca o ponto de partida do trabalho contínuo que sustentará o desempenho dos atletas nas competições previstas para os próximos anos.
A ciência por trás do Período de Base
A transição para a preparação geral não se resume ao aumento da quantidade de exercícios, mas reflete uma metodologia planejada pela comissão técnica para elevar a capacidade do organismo dos atletas de suportar rotinas prolongadas de esforço.
O coordenador técnico do projeto, Lucas Apolinário, explica que o período de base é o alicerce indispensável sobre o qual todo o rendimento futuro é construído. É nesta etapa que se desenvolvem as condições físicas, fisiológicas, psicológicas e mecânicas necessárias para que, mais adiante, o grupo consiga avançar com segurança para treinamentos específicos de cada modalidade.
“Nesta fase de preparação geral, trabalhamos com uma combinação precisa entre o elevado volume de atividades e o controle rigoroso da intensidade. O objetivo principal não é atingir o máximo de esforço em um único treino, mas sim desenvolver no atleta a capacidade de resistir ao próprio processo de treinamento ao longo do tempo”, esclarece Lucas Apolinário.
O treinador enfatiza que, sob o ponto de vista da exigência física acumulada, a rotina de treinos muitas vezes supera as demandas da própria competição. Enquanto uma prova oficial dura poucos minutos ou dias e exige níveis máximos de velocidade e força explosiva, a preparação diária se estende de segunda a sábado por quase todo o ano. Sem uma base sólida, o atleta não consegue manter a constância necessária para alcançar o alto rendimento nos momentos decisivos.
Organização semanal e a dinâmica dos primeiros circuitos
A principal novidade incorporada à rotina dos treinos entre 21 e 27 de setembro foi a introdução dos circuitos funcionais e treinos intervalados na pista de atletismo. Para assegurar uma adaptação segura e evitar sobrecargas musculares após o período de descanso, a comissão técnica organizou a programação semanal de forma estratégica:
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Segundas, quartas e sextas-feiras: Aplicação dos circuitos de treino, concentrando os maiores estímulos de volume, mobilidade e resistência geral.
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Terças e quintas-feiras: Sessões com nível de exigência reduzido, priorizando o fortalecimento muscular e atividades gerais de menor impacto.
Essa alternância de estímulos permite que o corpo responda ao estresse físico nos dias de circuito e utilize as sessões intermediárias para a recuperação ativa e a manutenção da qualidade dos movimentos.
Apesar do aumento perceptível na carga de trabalho em relação à semana anterior que havia sido focada em corridas leves e mobilidade, os primeiros circuitos foram aplicados em um nível controlado de dificuldade. O foco esteve na adaptação do corpo ao número elevado de repetições e à variedade de exercícios de fortalecimento, preparação do core e controle motor.
Acompanhamento técnico e progressão contínua
A resposta física aos primeiros circuitos foi marcante para o grupo, exigindo um acompanhamento próximo por parte da comissão técnica. As dores musculares tardias e o cansaço acumulado fazem parte do processo natural de adaptação do organismo à nova rotina.
Por isso, o planejamento não segue uma fórmula rígida. Conforme os atletas demonstram evolução e capacidade de recuperação, a comissão técnica ajusta a relação entre o volume, a frequência e o nível de dificuldade dos exercícios. Nas semanas seguintes, a tendência é aumentar a complexidade dos circuitos enquanto se readequam a quantidade e o ritmo das sessões.
Visão de longo prazo: Foco na temporada 2027
Diferentemente do treinamento em véspera de campeonato, a preparação geral é um investimento de longo prazo. Com o encerramento do calendário competitivo mais recente, a maioria dos atletas já voltou as atenções para o próximo ciclo olímpico e nacional.
De acordo com a coordenação técnica, este período de preparação geral deverá se estender de forma progressiva até julho de 2027.
Até lá, a prioridade absoluta será consolidar cada fase do treinamento, garantindo que cada atleta chegue ao período competitivo em sua máxima forma física e técnica.
Sobre o Projeto
O Projeto Corridas, Saltos, Lançamentos e Superação! (Ano II – Nº 2024.08.0114) é executado pela equipe SADA–CRUZEIRO–IPITA, promovendo o desenvolvimento, a formação e o alto rendimento de atletas no atletismo brasileiro por meio de suporte técnico, infraestrutura especializada e acompanhamento multidisciplinar.