Coordenador técnico do projeto Corridas, Saltos, Lançamentos e Superação representou a equipe SADA-CRUZEIRO-IPITA no XLV Troféu Brasil Interclubes Loterias Caixa de Atletismo 2026. Mais do que competir, viveu a rotina da elite do atletismo brasileiro para aperfeiçoar sua atuação como treinador e fortalecer a formação dos atletas do projeto.
São Paulo (SP) – O cronômetro, a altura da barra e a classificação final foram apenas parte da experiência vivida por Lucas Apolinário no XLV Troféu Brasil Interclubes Loterias Caixa de Atletismo 2026. Entre os dias 23 e 26 de julho, no histórico Estádio Ícaro de Castro Mello, no Complexo Esportivo do Ibirapuera, o coordenador técnico do projeto Corridas, Saltos, Lançamentos e Superação entrou na principal pista do atletismo brasileiro carregando muito mais do que o uniforme da equipe SADA-CRUZEIRO-IPITA.
Sua participação representou a continuidade de um processo iniciado meses antes: a reconstrução do atletismo do Cruzeiro Esporte Clube e o retorno do clube ao Troféu Brasil após quase uma década de ausência. Ao conquistar os índices durante o Campeonato Mineiro Adulto e o Torneio Pró-Índice, Lucas garantiu sua classificação para a maior competição do calendário nacional e concretizou um objetivo que ultrapassava qualquer resultado individual.
A participação no Troféu Brasil não foi motivada pelo desejo de construir uma carreira como atleta de alto rendimento. Desde o início, o propósito era outro: experimentar, na prática, a realidade vivida pelos atletas de elite, compreender os desafios físicos, técnicos e emocionais da competição e transformar toda essa vivência em conhecimento para qualificar ainda mais o trabalho desenvolvido junto aos atletas do projeto.
Essa missão acompanha Lucas desde que assumiu a coordenação técnica do Projeto Corridas, Saltos, Lançamentos e Superação, iniciativa executada pelo Instituto Palestra Itália, em parceria com o Cruzeiro Esporte Clube e viabilizada pelo patrocínio do Grupo SADA. Mais do que formar atletas competitivos, o projeto busca desenvolver pessoas por meio do esporte, oferecendo treinamento especializado, acompanhamento técnico e oportunidades de participação em competições estaduais e nacionais.
Foi justamente essa responsabilidade que motivou Lucas a voltar às pistas.
“Eu nunca me propus a ser atleta profissional. Não dá para começar uma carreira aos 30 anos. Faço atletismo porque amo o esporte. Gosto de treinar e de viver essa modalidade, mas meu objetivo sempre foi entender melhor tudo aquilo que os atletas enfrentam.”
O caminho até o Troféu Brasil
A vaga no Troféu Brasil foi construída com muito trabalho. Durante o Campeonato Mineiro Adulto e o Torneio Pró-Índice, Lucas conquistou três medalhas de ouro nas provas dos 110 metros com barreiras, salto em altura e salto triplo, alcançando os índices exigidos pela Confederação Brasileira de Atletismo para disputar a principal competição do país.
Mais do que garantir uma vaga individual, aquele resultado representou um marco para o atletismo celeste. Depois de quase dez anos sem representantes no Troféu Brasil, o Cruzeiro voltava a figurar entre as equipes presentes no evento mais importante do calendário nacional.
A conquista ganhou um significado ainda maior por simbolizar o trabalho desenvolvido desde a retomada do atletismo do clube. Em poucos anos, o projeto passou a revelar atletas, conquistar medalhas estaduais e ampliar sua presença em competições nacionais, consolidando um processo de reconstrução que agora alcançava seu maior palco.
Quando desembarcou em São Paulo, Lucas sabia que sua missão já havia sido cumprida em parte. O simples fato de ver novamente o escudo do Cruzeiro no Troféu Brasil era uma conquista construída coletivamente.
“Primeiro quero agradecer ao clube pela oportunidade, pela parceria e pela confiança no trabalho. Foi muito importante poder levar o Cruzeiro de volta ao Troféu Brasil. Muita gente importante do atletismo brasileiro estava lá e pôde ver que o Cruzeiro voltou a frequentar as pistas do Troféu Brasil.”
O reencontro com a principal competição do atletismo brasileiro

Da esquerda para a direita: Rebeca, fisioterapeuta que integrou a equipe de apoio durante o Troféu Brasil de Atletismo 2026; Lucas Apolinário, coordenador técnico do SADA Cruzeiro/IPITA CTE; e Gabriel, psicólogo do Centro de Treinamento Esportivo (CTE), que atua no acompanhamento psicológico dos atletas do projeto. A atuação da equipe multidisciplinar foi essencial para oferecer suporte técnico, físico e emocional durante a principal competição do atletismo nacional.
A edição de 2026 entrou para a história do esporte nacional. Além de reunir a elite do atletismo brasileiro, marcou o retorno do Troféu Brasil ao tradicional Estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera, completamente revitalizado.
O ambiente impressionou Lucas desde os primeiros dias. O estádio respirava atletismo. Nas arquibancadas, treinadores, dirigentes e torcedores acompanhavam cada prova. Nas áreas de aquecimento, dividiam espaço atletas olímpicos, recordistas nacionais, jovens promessas e nomes históricos da modalidade.
Embora já conhecesse o Troféu Brasil, a sensação desta vez era completamente diferente.
Em 2022, Lucas participou da competição como treinador. Agora, pisaria na pista como atleta.
“Eu já tinha ido ao Troféu Brasil como treinador, em 2022, no Engenhão. Agora, estar lá como atleta foi uma sensação completamente diferente. A experiência do lado de dentro muda tudo.”
Segundo ele, competir permitiu compreender aspectos que dificilmente são percebidos por quem acompanha apenas da área técnica.
A concentração antes da prova, a ansiedade da chamada, o silêncio que antecede a largada, a responsabilidade de representar uma instituição tradicional e a convivência direta com alguns dos maiores nomes do atletismo brasileiro tornaram a experiência muito mais rica do que imaginava.
Foi também uma oportunidade para observar o comportamento dos grandes atletas fora das competições.
“Havia atletas muito jovens e também atletas encerrando a carreira. Foi muito bonito ver essa troca de experiências, os mais experientes aconselhando os mais novos. Isso mostra a grandeza do atletismo.”
Mais do que resultados, Lucas encontrou um ambiente de aprendizado permanente. Cada conversa, cada aquecimento e cada prova representavam uma oportunidade de observar detalhes que, futuramente, poderiam ser levados para dentro dos treinamentos do projeto.
Quando o resultado deixa de ser o mais importante
Se a classificação para o Troféu Brasil já representava uma conquista histórica para o projeto, a experiência vivida durante a competição confirmou aquilo que Lucas buscava desde o início: compreender, na prática, os desafios enfrentados pelos atletas de alto rendimento.
Ao longo das provas, a rotina intensa de trabalho dos meses anteriores acabou refletindo diretamente em sua preparação física. Sem conseguir dedicar o tempo ideal aos treinamentos, Lucas chegou ao Troféu Brasil consciente de que enfrentaria adversários que vivem exclusivamente do esporte e possuem uma rotina voltada integralmente ao alto rendimento.
Ainda assim, escolheu competir.
Durante a disputa dos 110 metros com barreiras, uma lesão no adutor comprometeu sua prova. As dores aumentaram ao longo do percurso e impediram que concluísse a disputa da maneira como havia planejado.
“Na prova dos 110 metros com barreiras, infelizmente eu não consegui me preparar como gostaria por causa da correria. Fiz uma prova abaixo do esperado, senti dores durante a corrida e acabei abandonando nas últimas barreiras.”
A lesão também teve reflexos na prova seguinte.
No salto em altura, modalidade em que havia conquistado o título do Campeonato Mineiro Adulto semanas antes, o desconforto muscular voltou a limitar seus movimentos.
“No salto em altura eu estava um pouco melhor, mas ainda sentia dores no adutor direito. Isso atrapalhou bastante meus saltos. Também não consegui me preparar da melhor forma.”
Mesmo diante das dificuldades, Lucas faz questão de destacar que saiu da competição realizado.
Isso porque, para ele, o maior objetivo nunca esteve relacionado ao resultado esportivo.
“Eu não fui ao Troféu Brasil buscando resultados. Fui para viver a experiência, vestir a camisa do Cruzeiro e estar do lado de dentro da principal competição do atletismo brasileiro.”
Uma experiência que agora passa a fazer parte dos treinamentos
Ao retornar de São Paulo, Lucas trouxe consigo algo que dificilmente seria adquirido apenas estudando, assistindo competições ou acompanhando atletas à beira da pista.
Trouxe vivência.
A experiência de sentir a pressão de uma chamada para prova, de dividir espaço com atletas olímpicos, de enfrentar o nervosismo antes da largada, de lidar com dores durante uma competição e de compreender como pequenos detalhes podem influenciar diretamente o desempenho esportivo.
Essa bagagem agora passa a integrar o trabalho desenvolvido diariamente com os atletas do projeto.
Cada orientação técnica, cada conversa antes das competições e cada ajuste durante os treinamentos passam a ser enriquecidos por uma experiência vivida dentro da principal competição do atletismo brasileiro.
Mais do que ensinar fundamentos técnicos, Lucas retorna ao projeto com uma compreensão ainda mais profunda dos desafios enfrentados por quem compete em alto nível.
Essa vivência fortalece um dos pilares do Projeto Corridas, Saltos, Lançamentos e Superação: formar atletas preparados física, técnica e emocionalmente para os desafios do esporte.
Muito além de uma participação individual
Embora Lucas tenha sido o representante do Cruzeiro nas pistas do Ibirapuera, sua participação nunca foi encarada como uma conquista individual.
Ela representa o amadurecimento de um projeto que vem reconstruindo o atletismo celeste e ampliando, ano após ano, sua presença nas principais competições do país.
O retorno do Cruzeiro ao Troféu Brasil demonstra que o investimento na modalidade começa a produzir resultados consistentes e reforça o compromisso do clube com o desenvolvimento do atletismo.
Desenvolvido pelo Instituto Palestra Itália, em parceria com o Cruzeiro Esporte Clube, o projeto Corridas, Saltos, Lançamentos e Superação tem promovido a formação esportiva de jovens atletas, oferecendo estrutura, acompanhamento técnico e oportunidades para competir em alto nível.
Todo esse trabalho é viabilizado pelo patrocínio do Grupo SADA, parceiro fundamental para a consolidação da iniciativa.
O apoio da empresa possibilita a manutenção da equipe técnica, a realização dos treinamentos, a participação em competições estaduais e nacionais, a aquisição de materiais esportivos e a criação de condições para que atletas e profissionais possam evoluir continuamente.
A presença de Lucas no Troféu Brasil é, portanto, reflexo de um trabalho coletivo que envolve atletas, treinadores, dirigentes, parceiros e patrocinadores comprometidos com o fortalecimento do atletismo.
Mais do que uma competição, o Troféu Brasil tornou-se um símbolo da evolução do projeto.
Um legado que continua sendo construído
Ao final dos quatro dias de competição, Lucas deixou o Estádio Ícaro de Castro Mello sem medalhas.
Mas voltou para casa carregando algo que considera muito mais valioso.
A certeza de que a experiência vivida entre os melhores atletas do país contribuirá diretamente para a evolução do trabalho desenvolvido no projeto.
“Vestir novamente o escudo do Cruzeiro em uma pista de Troféu Brasil foi motivo de muito orgulho.”
Mais do que representar o clube, Lucas ajudou a escrever um novo capítulo da história do atletismo celeste.
Um capítulo iniciado com a conquista dos índices, consolidado com o retorno do Cruzeiro ao Troféu Brasil e que agora segue adiante por meio do conhecimento adquirido dentro da pista e compartilhado diariamente com os atletas do Projeto Corridas, Saltos, Lançamentos e Superação.
A participação no XLV Troféu Brasil Interclubes Loterias Caixa de Atletismo reforça que o desenvolvimento esportivo vai além dos resultados imediatos. Ele é construído por meio da experiência, do aprendizado contínuo e do compromisso com a formação de pessoas e atletas.
É justamente esse compromisso que tem guiado o trabalho do Instituto Palestra Itália, do Cruzeiro Esporte Clube e do Grupo SADA na reconstrução do atletismo celeste, criando oportunidades para que uma nova geração de atletas sonhe mais alto e encontre, nas pistas, um caminho de desenvolvimento esportivo e humano.